“Olhe, meu caro, esta boa terra de Fafe é assim: pão pão, queijo queijo; portuguesa de lei, hospitaleira, franca até à rudeza e capaz também de pôr um bom cacete de cerquinho, na sua justiça deles, onde el-rei não haja posto a sua própria.
É que a espada vai na burra, e nada por isso de contrariar a altaneira Fafe.
Mas é de simpatizar, não é verdade?
Escreveu José Augusto Vieira na sua obra “O Minho Pittoresco” de 1887, realçando o caracter de uma “justiça” popular num tempo longínquo onde a vara de lódão ainda não conhecia o jogo do pau e ajustava contas e desavenças.
Há mais de um século era assim, a “Justiça de Fafe”, tão afamada que virou postal ilustrado em 1907 e, 74 anos depois, os fafenses perpetuaram erigindo uma estátua bronzeada que, com orgulho e sem afronta, colocaram junto à Casa da Justiça.
“Com Fafe ninguém fanfe”… que é como quem diz, com Fafe ninguém se meta. É o conhecido chavão que chegou até nós por via das lendas que não passam disso mesmo.
Como disse Hernâni Von Doellinger: “A justiça de Fafe é a metáfora folclórica de uma gente de paz que não gosta de levar desaforo para casa, ou que costuma não gostar.”
A “justiça de Fafe” é uma questão de defesa da honra, admirada em todo o mundo, que os fafenses ostentam com orgulho bairrista, mantendo uma tradição que assevera que corremos tudo a pau. Mas nenhum de nós é fera e fafense algum é mau.

Jesus Martinho