Group of cute little prescool kids drawing

Os nossos pequenos robots, com as suas mochilas carregadas de livros, livrinhos, letras, mais letras, mais livros. Os livros de estudo, os livros de apoio ao estudo, os livros de apoio aos livros de apoio ao estudo.

 Sobrando algum tempo, podem então brincar, fazer um jogo e arranjar formas de gastar o resto da energia. Se há coisa que não lhes falta é mesmo a energia…falta-lhes muitas vezes o tempo.

Mas e se … introduzíssemos os jogos na aprendizagem?

A utilização de recursos didáticos dinâmicos promove efetivamente resultados positivos na educação. São vários os estudos que comprovam a maior eficácia das aprendizagens através do jogo e exercícios em grupo, por oposição às aulas propriamente ditas e às tarefas individuais.

Além da estimulação da atividade psicomotora, o jogo favorece, por exemplo, a imaginação, a concentração e a atenção. A criança aprende a pensar, a explorar o que a rodeia e a sua inteligência é estimulada.

 Nós os adultos, temos o dever de criar e participar nestes momentos, contribuindo para aprendizagens completas e significativas.

Não devem também os pais subestimar o valor dos jogos e brincadeiras. Cada vez mais (muito por imposição da sociedade moderna), os pais “vivem” no trabalho, os filhos “vivem” nas escolas e a dinâmica familiar “não vive”.

O tempo em família escasseia e as reduzidas interações diárias devem ser aproveitadas. Falando em jogos, momentos lúdicos e dinâmicos e falta de interação familiar, podemos falar da utilização positiva do tempo dispensado à realização dos trabalhos de casa.

“Ai meu deus, os trabalhos de casa! O jantar está atrasado, a casa virada do avesso, agora só me faltavam mesmo os malditos trabalhos de casa! Não lhe chega passar o dia na escola? Que mal fiz eu!”

Estas dinâmicas familiares ocorrem com bastante frequência. Apesar disso, e reforçando a ideia de que não se devem cair em exageros ou tarefas intermináveis, terei que os elucidar para a importância dos trabalhos de casa.

Em primeiro lugar, é necessário que faça um esforço para transformar estes momentos em períodos de interação positiva. Não se esqueça que estará a facilitar as aprendizagens do seu filho e a promover competências como a autonomia e a responsabilidade.

 Não menos importante do que o referido anteriormente, vai estar a conhecê-lo, terá a possibilidade de obter conhecimento acerca do seu desenvolvimento e perceção das suas dificuldades, capacidades e qualidades.

É muito importante que sejam tomadas as devidas precauções para que estes momentos não se transformem num problema para toda a família.

E como posso fazer isso?

Experimente escolher um horário e local específico da casa para estes momentos, criando uma rotina;

(O local deve ser calmo, não ter muitos objetos que possam levar à distração, deve ter um bom ambiente e uma boa iluminação);

Afaste do espaço escolhido telemóveis, televisões e objetos que possam interferir e interromper a realização das tarefas;

 Mantenha-se calmo e paciente e reforce positivamente as pequenas realizações que vão surgindo;

Incentive sempre o esforço e empenho do seu filho.

Não se esqueça, é essencial que os pais estejam integrados e interessados nas atividades letivas dos filhos havendo comunicação constante com a escola.

E os trabalhos de casa… podemos também fazê-los a jogar!

Flávia Freitas Fernandes

Psicóloga Clínica e da Saúde, membro efetivo Ordem dos Psicólogos Portugueses, cédula profissional número 20133