Ninguém pode de facto negar a utilidade da Internet. Esta favorece atualmente a maioria das nossas necessidades pessoais e profissionais. Aqui, podemos encontrar divertimento, procurar novas amizades e relações, procurar novas oportunidades de emprego e estar sempre atualizados acerca daquilo que nos rodeia.

Apesar disso e dos inúmeros benefícios que podemos apontar à sua utilização, a forma como usufruímos da mesma poderá transformar-se numa experiência positiva ou negativa, e isso irá depender unicamente de nós.

O fenómeno das redes sociais, por exemplo, tem chamado a atenção de vários investigadores que têm observado a sua influência nas formas de comunicação, no relacionamento interpessoal e na própria identidade pessoal.

O consultar das redes sociais faz parte da nossa rotina diária. Estas, além de uma forma de entretenimento, são um excelente meio para a troca de informações, desde notícias e piadas, a conhecimentos e partilhas de cariz educacional e/ou profissional. E isto não é algo negativo, até pelo contrário.

O essencial é haver moderação. Mas essa moderação é por vezes dificultada num meio onde temos a ilusão de que tudo nos é permitido.

A forma como comunicamos está facilitada. É muito mais fácil expressar a nossa opinião quando nos encontramos atrás de um ecrã.

Aqui estamos seguros! Aqui é permitido que ignoremos as consequências das nossas palavras, que ignoremos o outro e até mesmo o direito que ele tem em dar-nos uma resposta.

Quando estamos atrás de um ecrã, é mais fácil não criar empatia com o outro, e quando isto nos acontece, precisamos de recordar que já não estamos a acrescentar valor às nossas relações.

É fácil realmente “viver” num mundo virtual. Agora até nos é permitido “sentir”. Podemos “sentir” à distância de um clique. E podemos “sentir” em todo o lado, “sentir” as mais variadas emoções… mas será que não estamos apenas a permitir-nos não “sentir” nada?

E como é bom conseguirmos estar com todos, estar presentes em todos os momentos… ou será que na realidade não estamos presentes em lado nenhum?

É importante que nunca se esqueça de como somos felizes quando estamos rodeados por aqueles de quem gostamos. A segurança e confiança que nos é transmitida por aqueles que gostam de nós, aqueles que lidam diariamente não apenas com o nosso melhor. A relevância da empatia, do olhar nos olhos, do sorriso, do toque, e do respeito pelo outro. A importância do suporte social e da expressão emocional para a nossa saúde física e mental. A importância da comunicação, do contato e da presença, até porque comunicação não se resume ao que dizemos.

As redes sociais são bastante úteis, se não as usarmos como uma máscara para suprimir as nossas necessidades e se soubermos usufruir dos conceitos de liberdade e privacidade.

Quando achamos que estamos mais próximos do que nunca, numa rede que deveria encurtar distâncias, estamos a criar um atalho para um caminho de solidão conjunta.

Mesmo que lhe pareça difícil relacionar-se, que se sinta pouco competente nas suas capacidades comunicacionais e que possua dificuldades em reconhecer e lidar com as suas emoções e as do outro, tudo isto pode ser praticado e aperfeiçoado. Procure um Psicólogo.

Lembra-se da sua felicidade no passeio em família, do dia passado com os amigos, da ida ao cinema, do dia do jogo de futebol?

Há um mundo lá fora, não o perca durante demasiado tempo.

 

Flávia Freitas Fernandes

Psicóloga Clínica e da Saúde, membro efetivo Ordem dos Psicólogos Portugueses, cédula profissional número 20133