Se a moda é ser saudável, nada contra

Vamos iniciar com uma pequena abordagem aos padrões de beleza.

O que é a beleza? Quem a define? Como podemos atingir esses ideais?

Ao longo da história da Humanidade é possível que observemos os mais diversos padrões. Desde a valorização da mulher com grandes curvas, às normas específicas de beleza como simetria do rosto, largura da cinta, cor dos olhos, e não esquecendo a Idade Média, onde a preocupação estética e a cultura física foram mesmo proibidas.

Os padrões e normas de beleza alteram-se pois a representação do corpo não está livre da influência de diversas variáveis como as sociais, culturais e religiosas. Estas alterações ocorrem neste momento a um ritmo ainda mais acelerado.

 Na verdade, tudo atualmente se propaga a um ritmo alucinante. E não é fácil obter respostas objetivas para as questões que foram colocadas inicialmente. Mas uma coisa é certa, é quase impossível obedecer a todas as normas socialmente “impostas”, mesmo que despendam todo o vosso tempo nesta missão.

Mas devemos preocupar-nos com a nossa imagem?

Sem qualquer margem para dúvidas. A nossa imagem e o nosso corpo devem ser sempre dos nossos maiores cuidados.

O nosso corpo não é apenas a embalagem que apresentamos socialmente. É principalmente mais do que isso. Este possui uma identidade, relaciona-se com a forma como nos sentimos, como nos avaliamos a nós próprios.

Qual é atualmente o modelo de corpo ideal?

Não faço ideia. Mas parece-me que as coisas têm vindo a modificar-se.

Têm vindo a modificar-se com o abandono da busca sem limites pelo corpo esbelto e magro, através de dietas restritivas e comportamentos de risco, para a valorização do nosso corpo, da nossa saúde, da prática de exercício físico e da adoção de hábitos de vida saudáveis.

Onde entra aqui a nossa saúde mental?

A qualidade da nossa saúde mental poderá ser um fator facilitador ou um impeditivo da nossa capacidade e predisposição para a iniciação e manutenção de hábitos de vida saudáveis.

Da mesma forma, os nossos hábitos alimentares e a forma como tratamos o nosso corpo podem originar ou manter as nossas perturbações psicológicas.

A prática de exercício físico, por exemplo, está associada amplamente ao bem-estar psicológico e tem influência em aspetos como a qualidade do sono, humor, memória, diminuição dos níveis de stress, na prevenção e tratamento dos sintomas associados à depressão e ansiedade, entre muitos outros fatores.

A nossa alimentação e hábitos não são menos importantes para a nossa saúde física e mental. Os aminoácidos, as vitaminas, os minerais, as gorduras e os antioxidantes nos alimentos podem ajudar com a ansiedade, irritabilidade, alterações de humor e outros sintomas. Os antioxidantes e uma variedade de nutrientes protegem as células de danos e os peixes gordos, como o salmão, podem fornecer excelentes nutrientes para a manutenção da saúde cerebral e até mesmo para melhorar a concentração.

Inclua nas suas rotinas o exercício cognitivo, o exercício físico e os cuidados alimentares. Verá que tanto o seu interior como o exterior ganharão uma nova cor.

Observações:

Não se esqueça que é sempre necessário procurar uma avaliação médica antes de iniciar qualquer tipo de atividade física. É fundamental que esta mudança seja acompanhada por profissionais qualificados nomeadamente psicólogos, profissionais do exercício físico e nutricionistas.

E ao cuidar do nosso corpo, que seja por nós e para nós e não como reféns de padrões sociais exigentes e inconstantes.

 

Flávia Freitas Fernandes

Psicóloga Clínica e da Saúde, membro efetivo Ordem dos Psicólogos Portugueses, cédula profissional número 20133