Um novo ano está já a decorrer e muitos de nós estão ainda reticentes quanto ao caminho a seguir. As coisas estão no mesmo lugar. Procuramos algo mais. Queremos ser felizes… ou ainda mais felizes.

Mas afinal o que me faria feliz?

Muitos não conseguem responder a esta questão.

Não estamos satisfeitos, mas também não sabemos bem o que precisamos ou queremos para que nos possamos sentir melhor.

E como posso lidar com isto?

Em primeiro lugar é necessário que possamos aprender a conhecer-nos. É crucial que gastemos tempo connosco. O que me faria feliz? Um novo cargo no meu trabalho ou mudar de local de trabalho? Mudar de casa ou mudar de país? É crucial “parar”, refletir.

E o que é ser feliz?

Pecamos ao achar a felicidade um acaso. Felicidade não é sorte de coisas que nos acontecem esporadicamente. Nós somos agentes ativos na construção da nossa felicidade.

Quando nos propomos a alcançar algo, a investir numa missão, investimos também na nossa felicidade. Quando nos permitimos fazer o que gostamos, a nível profissional e a nível pessoal, como por exemplo os passatempos que escolhemos e a prática de um desporto, estamos a permitir-nos ser felizes.

Mas existem determinados fatores que exercem influência neste processo, como os problemas de saúde mental.

Podemos usar como exemplo a depressão, que foi este ano destacada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Dia Mundial da Saúde de 2017.

Com o lema “Let’s talk” (“Vamos conversar”, em português), a iniciativa reforça que existem formas de prevenir a depressão e também de tratá-la.

Segundo a mesma fonte, estima-se que 350 milhões de pessoas de todas as idades sofrem com este transtorno e cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio a cada ano — sendo a segunda principal causa de morte em pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

Existem tratamentos eficazes conhecidos para depressão mas menos de metade dos afetados no mundo (em muitos países, menos de 10%) recebe esses mesmos tratamentos.

Por incrível que pareça o estigma social está ainda muito associado aos transtornos mentais e é um dos entraves ao tratamento. Apesar de toda a informação disponibilizada as perturbações psicológicas permanecem ainda associadas a estereótipos negativos e sujeitas a rejeição, preconceito, discriminação e exclusão social.

A prevenção assume sempre um papel determinante. Está provado que os programas de prevenção reduzem a incidência não só da depressão mas dos mais variados problemas do foro psicológico. Os programas escolares, por exemplo, são estratégias bastante eficazes de prevenção.

Dê ao seu interior a mesma atenção que disponibiliza ao seu exterior e verá que a felicidade sempre esteve em si.

Flávia Freitas Fernandes

Psicóloga Clínica e da Saúde, membro efetivo Ordem dos Psicólogos Portugueses, cédula profissional número 20133