A civilização do espetáculo
de Mário Vargas Llosa
Tradução de Cristina Rodriguez e Artur Guerra
Quetzal – 2012
excerto:
«O que quer dizer civilização do espetáculo? A de um mundo onde o primeiro lugar na tabela de valores vigente
é ocupado pelo entretenimento e onde divertir-se, fugir ao aborrecimento, é a paixão universal. Este ideal de vida é
perfeitamente legítimo, sem dúvida. Só um puritano fanático poderá censurar os membros de uma sociedade que queira dar
consolo, descontração, humor e diversão a umas vidas geralmente enquadradas em rotinas deprimentes e às vezes
embrutecedoras. Mas converter esta propensão natural para passar uns bons momentos num valor supremo tem
consequências inesperadas: a banalização da cultura, a generalização da frivolidade e, no campo da informação, que
prolifere o jornalismo irresponsável da bisbilhotice e do escândalo. O que é que fez com que o ocidente fosse deslizando
para uma civilização desta ordem? (…) O que é que conduziu ao apoucamento e volatização do intelectual no nosso
tempo? (…)
A literatura light, como o cinema light e a arte light, dá a impressão ao leitor e ao espectador de ser culto,
revolucionário, moderno, e de estar na vanguarda com um mínimo de esforço intelectual. Deste modo, essa cultura que se
pretende avançada e de rutura, na verdade propaga o conformismo através das suas piores manifestações: a complacência e
a autossatisfação.»
Que eco de humanidade restará na manhã do século em que a Imaginação, capturada
pela certeza, seja tão só um rol de efeitos definitivos, concretos, inquestionáveis, coo
uma tabuada exacta?
Estará o melhor peixe impreterivelmente no melhor pregão?
Estás seguro de que quem inventou o encosto – e com ele a ideia de cadeira – é o
verdadeiro responsável pela afinação da preguiça?
um livro rasgado
finge ventado ao luar
um homem de sombra.
José Rui Rocha

Teoria da viagem

Michel Onfray

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