Quando falamos em consumo excessivo, consumismo, somos automaticamente remetidos para questões económicas e financeiras.

É isto que nos ocorre em primeiro lugar, mas não vamos falar aqui dessas questões.

Vamos sim centrar-nos em nós e pensar no consumo pessoal, na forma como poderá um consumo excessivo estar relacionado connosco.

Não iremos analisar os nossos gastos em bens, mercadorias e serviços, deixo isso caso assim o pretendam para cada um de vocês.

Então do que estou eu a falar?

Pretendo falar-vos de um consumismo muito importante, aquele que desgasta e consome os nossos recursos internos.

“Um Homem não é de ferro”

Acho uma piada particular a esta afirmação. A sua analogia com o ferro, algo com significado de força e imponência, não pode nunca desvincular-se da noção de que o ferro também é passível de alterações, também quebra, pode fundir, oxidar…

Nós não somos (e ainda bem) de ferro. Somos mais fortes do que o ferro em algumas circunstâncias e menos fortes noutras que nos afetam de forma mais significativa.

Não possuímos recursos inesgotáveis e pelo contrário somos desafiados diariamente a gerir esses mesmos recursos.

São esses “consumos” que aqui nos interessam.

Falamos aqui de uma gestão de recursos cognitivos.

Falamos de competências da vida diária, resolução de problemas sociais, de conhecimentos e acima de tudo, de autoconhecimento.

“Somos todos diferentes”

Com certeza já fizeram comparações, entre outras pessoas, entre vocês mesmos e os outros, e as capacidades que cada um apresenta para por exemplo, enfrentar as situações.

As capacidades que apresentamos variam, não só em relação aos que nos rodeiam, mas em relação aos contextos e situações com as quais nos deparamos.

Lidar com múltiplos stressores é uma tarefa cada vez mais difícil à medida que os fatores de stress aumentam. Alguns autores afirmam mesmo que o acumular de vários fatores poderá não ter um efeito aditivo simples, mas talvez um efeito exponencial mais complexo.

Não podemos colocar então de parte a constatação de que, aumentando o número de stressores diminuirá a competência que apresentamos para lidar com eles. Não podemos esquecer também que o nosso bem-estar físico e psicológico está associado com a manutenção que fazemos dos nossos recursos internos.

Seja leve…

Encontre-se. Faça uma profunda viagem ao seu interior.

Conheça os seus limites, pare, invente, reinvente, reinvente-se.

Preocupe-se com o que vale realmente esse esforço, preocupe-se na hora certa, preocupe-se em criar alternativas, seja criativo.

Liberte-se das correntes do passado, liberte-se das inquietações do futuro, e sinta… sinta o agora. Não se iniba de sentir.

Explore as suas emoções, lide com elas, enfrente os seus receios. Não seja consumido pela vida, consuma-a você, em doses exageradas.

Não tenha receio. Descubra-se. Encontre-se sozinho ou procure uma orientação.

Será que eu me conheço?

Quais são as minhas principais qualidades? O que me faz feliz? Quais são os meus objetivos? O que pensam os outros sobre mim? Quantas coisas não me sinto capaz de realizar… e quantas dessas coisas, não foram nunca testadas? O que quero ainda realizar?

 

Flávia Freitas Fernandes

Psicóloga Clínica e da Saúde, membro efetivo Ordem dos Psicólogos Portugueses, cédula profissional número 20133