Com o Natal aí à porta, o número de mensagens recebidas nas nossas caixas de correio, sejam elas físicas ou virtuais, costuma aumentar. Cartas, postais, e-mails… uma combinação perfeita entre uma bela imagem alusiva a esta época natalícia e um pequeno texto igualmente belo. Convém relembrar que o aspeto visual da nossa mensagem não se limita à imagem ou imagens que a acompanham. O texto deve também ocupar um plano de destaque e, portanto, devemos evitar que um erro ortográfico retire brilho à nossa mensagem.

Esta semana, recebi no meu email uma dessas lindas mensagens de Natal que passo agora a descrever: uma imagem de um pinheiro colorido, decorado com os tradicionais enfeites; um título pomposo e brilhante; o tradicional texto carregado dos melhores votos para esta quadra e… um erro ortográfico! É verdade… Logo no início do texto surgia um erro ortográfico que tal como uma luz fundida retirava um pouco de brilho à mensagem do remetente.

As cores estavam lá, assim como os tradicionais votos, mas aquele erro… Bem, aquele erro deu-me a ideia para o meu contributo semanal.

O erro em questão tem a ver com a utilização do hífen,aquele sinal gráfico horizontal (-), também carinhosamente chamado de tracinho, que podemos encontrar em várias palavras da nossa língua e que muitas vezes causa tanta confusão.

De facto, existem pares de palavras que são muito semelhantes e a utilização do hífen é importante para fazer uma distinção entre elas.

É o caso de “Compra-mos” e “Compramos”.

Voltando à mensagem de Natal que recebi no meu e-mail, esta começava da seguinte forma:

 

Compra-mos muitos presentes, mas o melhor não custa dinheiro: a amizade.

 

Embora a mensagem seja de facto muito linda e relevante nos tempos que correm, se a analisarmos bem vamos ver que esta tem um erro. Na frase em questão a forma “compra-mos” é utilizada incorretamente. A forma do verbo deveria ser “compramos”.

 

É de salientar que este par de palavras se distingue desde logo pela pronúncia, sendo a sílaba tónica diferente: compramos / compra-mos.

 

“Compramos” é a 1.ª pessoa do plural (nós) do presente do indicativo do verbo comprar. “Compra-mos” é também uma forma do verbo comprar, a 2.ª pessoa do imperativo, só que aqui o verbo está a ser conjugado pronominalmente e há a contração de dois pronomes: me + os = mos.

 

Atentemos nos seguintes exemplos para clarificar a diferença entre as duas formas:

 

1. Todos os anos compramos um calendário do advento para as crianças.

2. Esqueci-me de comprar os calendários do advento. Compra-mos, por favor!

 

Uma boa maneira de evitar este erro é colocar as frases na forma negativa. Assim, o pronome tem de ser colocado antes do verbo.

 

1. Não compramos um calendário do advento para as crianças.

2. Já comprei os calendários do advento. Não mos compres!

Daniel Martins