O debate sobre o Serviço Militar Obrigatório, ou SMO, está a começar a ganhar dimensão em alguns países da Europa. A própria Suécia neste mesmo ano decidiu reintroduzir o SMO no seu sistema militar, mas o que causa mais surpresa vem da própria França. O atual presidente da França, Emmanuel Macron, durante a sua campanha presidencial trouxe o assunto do SMO a debate. Como não podia deixar de ser, a população francesa mostrou-se extremamente dividida quanto ao assunto, porém, Macron, refutava perante os céticos que “todos os jovens franceses tenham a oportunidade de experimentar, mesmo que brevemente, a vida militar para que entendam o valor da soberania nacional.”

Em Portugal, desde 2004 que os jovens deixaram de cumprir o SMO. Nessa mesma data apenas o PCP foi o único partido a votar contra essa mesma decisão, porém 14 anos depois o regresso do SMO é visto como uma possibilidade cada vez mais forte pelos partidos.

Atualmente, já são muitas as vozes das bancadas parlamentares que defendem o regresso do SMO ou a reformulação do modelo atual, que se encontra esgotado e com uma falta de militares cada vez mais evidente. Contudo, a maior parte dos cidadãos são contra e questionam o porquê do regresso do SMO no século XXI. Bem, esse porquê é fácil de responder e próprio parlamento e o governo sabem-no bem.

As ameaças externas são as maiores desde o tempo da Guerra Fria e, cada dia que passa, as mesmas aumentam cada vez mais. Perante estas ameaças a Europa e os respetivos países não têm ficado indiferentes.

De um lado das ameaças externas, se o disséssemos em 2016 ninguém iria acreditar, são os EUA, o velho aliado da Europa e membro mais influente da NATO. Chefiados por Donald Trump, os EUA têm cada vez mais uma politica de protecionismo e de isolamento económico, tendo iniciado este ano uma guerra comercial com a UE. Para piorar ainda mais a situação da UE, o maior aliado e maior potência militar ameaça abandonar a NATO, deixando assim o velho continente à sua mercê.

Porém, a maior preocupação militar de todas vem de leste, com Vladimir Putin chefiando a potência militar que é a Rússia. O objetivo de Putin é claro, quer que a Rússia volte a ter o poder geopolítico dos tempos da URSS e para isso tem de enfraquecer a Europa para posteriormente a poder conquistar, algo que já se efetivou na Ucrânia e onde a UE e a NATO não tiveram a coragem de enfrentar Vladimir Putin.

Contudo, uma das ameaças da Europa é de fator interno. Apesar da UE estar muito bem economicamente, politicamente a história é outra. Todos os dias a Europa está cada vez mais nacionalista e protecionista, politicas essas que infelizmente não se avistam soluções quanto a este problema nos próximos tempos. Como exemplos pode-se falar de países como Polónia, Áustria e agora até mesmo da Itália, que com as recentes eleições, são governados por fações anti europa e que se caraterizam como sendo contra a Europa e contra o projeto europeu.

Perante estas ameaças todas explicadas, convém também falar da vertente educacional do SMO. Em Portugal, como no resto da Europa, os jovens não têm a mesma educação de outros tempos. A perda dos valores do respeito, da disciplina e do civismo é evidente nos dias hoje, derivada de uma educação débil dada pelos seus pais. O SMO não iria certamente resolver os problemas todos nesta vertente, porém ia educar alguns desses jovens, fornecendo a disciplina e respeito que nunca tiveram.

Face às ameaças externas ou por motivos educacionais, sou cada vez mais um defensor do SMO. Não posso deixar de defender um serviço militar que a todos obrigue, inclusivo para rapazes e raparigas, que seja encarado não só como um dever, mas acima de tudo, como um direito inaliável dos jovens na participação efetiva na defesa e soberania nacionais e os direitos do povo.