A tatuagem é uma das formas de modificação do corpo mais conhecidas do mundo. Trata-se de uma arte permanente feita na pele que, tecnicamente, consiste em uma aplicação subcutânea obtida através da introdução de pigmentos por agulhas.

Nos últimos anos, as tatuagens estão em ascensão. Muitas pessoas, para além de militares, marinheiros e ”alternativos”, parecem estar interessadas no mundo da tatuagem e a expressarem-se com a arte corporal. Com vários estilos, desde realismo a neo tradicional, pensaríamos que a sociedade finalmente aceitou a pele tatuada, mas não.

Segundo a minha pesquisa, no final do século XIX, uma pesquisa científica feita por um médico italiano fez com que os especialistas ganhassem interesse nas tatuagens. Cesare Lombroso dizia que quem tinha tatuagens tinha uma predisposição maior para cometer crimes, ou seja, toda a gente tatuada era criminosa. Apesar da teoria ter surgido em Itália, também ecoou em outros países, nomeadamente em Portugal. Enquanto que em Portugal ser tatuador é considerado um emprego, na Coreia do Sul é proibido. É ilegal tatuar sem licença médica e o governo coreano fez uma estimativa de 25 tatuadores a trabalhar ilegalmente.

Em Portugal, a descriminação acerca da pele tatuada já foi maior mas ainda nos sentimos deixados de lado, como se não tivéssemos o mesmo valor que outra pessoa qualquer. Muitos olhares estranhos são recebidos ao passar na rua, no autocarro, no supermercado… Porque é que as pessoas nos fazem sentir que fizemos algo errado? Porque é que temos de pensar duas vezes antes de fazer uma tatuagem? Como é que a arte no corpo de alguém os incomoda? Ter tatuagens não afeta a nossa adequação para um emprego, não são simples desenhos na pele que determinam a nossa capacidade para realizar seja o que for. Ter tatuagens não faz de nós bandidos. É arte. Arte que existe há gerações e continuará a existir. A cultura mainstream faz com que os jovens se sintam desconfortáveis com os ideais de beleza que expressam, que não encaixam com os padrões de beleza da sociedade atual. É bastante importante acabar com este estigma social e abrir a mente das pessoas, o mais que conseguirmos.

Estamos numa era em que simplesmente ninguém entende a arte que é a tatuagem. É, basicamente, uma geração que olha com desgosto. Obviamente, as pessoas têm direito a opiniões diferentes mas também não podemos classificar certas coisas como erradas, simplesmente porque não gostamos delas. A pessoa que julgam pode ser a mais simpática que já conheceram na vida.

Todos nós somos diferentes. Cada um com as suas paixões. No final do dia, uma tatuagem não define uma pessoa, só acrescenta à sua personalidade.